O PS/Açores propôs hoje ao Governo Regional, durante o debate de urgência sobre a situação financeira dos hospitais da região, a criação de um plano de saneamento financeiro e uma reestruturação da gestão hospitalar nos Açores.
Carlos Silva, que falava a partir da Assembleia Legislativa na Horta, afirmou que “os dados da Saúde nos Açores revelam um paradoxo que não podemos ignorar: o financiamento público não parou de crescer, os indicadores de saúde não acompanham essa evolução, pioraram, e os prejuízos dos hospitais agravam-se ano após ano.”
O parlamentar alertou que, em 2025, o Serviço Regional de Saúde teve um custo de cerca de 605 milhões de euros, mais 180 milhões do que em 2023, um aumento de 42% em apenas dois anos. “Seria legítimo esperar que um esforço desta dimensão se traduzisse em mais capacidade de resposta, mais cirurgias e menos utente à espera. Mas aconteceu precisamente o contrário.”
A este propósito, continuou o deputado, “entre janeiro de 2023 e junho de 2026, os três hospitais da Região acumularam 106 milhões de euros de prejuízo. Falamos de uma trajetória consistente de degradação financeira.”
O deputado reforçou que essa degradação é ainda mais evidente na dívida a fornecedores, que atingiu 197 milhões de euros em junho de 2026, apesar de todos os anos se converterem largos milhões em dívida financeira. “Isto significa que pequenas empresas e prestadores de serviços estão a financiar, sem remuneração, o funcionamento do Serviço Regional de Saúde.”
Para o socialista, as recentes notícias sobre demissões, divergência e pedidos de escusa nas Administrações Hospitalar são mais um exemplo da instabilidade vivida na Saúde. “O problema não é apenas de financiamento, é também de eficiência e de gestão. Entre 2021 e 2026, o HDES já conheceu quatro presidentes do Conselho de Administração.”
Carlos Silva considerou que esta má gestão se sente, de forma muito dura, na vida concreta dos Açorianos. “Entre 2023 e 2025 a lista de espera para cirurgia cresceu 26%, atingindo 13.463 utentes. O tempo médio de espera subiu para 484 dias. O número de doentes operados caiu de 9.558 para 8.245. Em 2026 estes números agravaram-se: perto de 14 mil utentes em lista de espera, com um tempo médio de quase 500 dias. Mais dinheiro, mais espera, menos cirurgias.”
Para o PS/Açores é, assim, fundamental que haja uma mudança de paradigma na gestão da Saúde no Governo de José Manuel Bolieiro.
Através deste plano de saneamento financeiro e uma reestruturação da gestão hospital proposto pelo PS/Açores, existiriam metas claras para a redução do défice de exploração da Saúde, um pagamento atempado a fornecedores e, principalmente, um aumento da capacidade de resposta aos Açorianos.
O deputado reforçou, ainda, a necessidade de se promover a Centralização de Compras Públicas e Concursos Partilhados, reduzindo custos e aumentando-se a eficiência.
Carlos Silva concluiu afirmando que os “Açorianos merecem um Serviço Regional de Saúde eficiente, que responda com rapidez aos seus problemas, financeiramente sustentável e bem gerido.”